Tem dois episódios de podcast meus e do Gabriel guardados num HD em algum lugar. Foram gravados há dois anos, online, e nunca saíram do HD.
A energia ficava plana. As conversas pareciam acontecer atrás de um vidro — você falava, o outro respondia, e tinha sempre um meio-segundo de atraso que matava o assunto antes dele virar conversa. A gente se olhou depois do segundo episódio, decidiu que não era aquilo que queríamos publicar, e arquivou.
Dois anos passaram. No meio, fui convidado para um podcast presencial. Saí de lá com aquela sensação de "é por aqui." Voltei para casa pensando alto com o Gabriel: e se a gente tentasse de novo, mas do jeito certo? Não atrás de um link — num espaço, com câmera apontada para a gente, com o convidado do lado, sem atraso de áudio entre uma fala e outra.
Do HD para o estúdio
A parte chata veio primeiro. Procurar sala é um exercício de paciência: foto bonita, lugar feio, ângulo ruim, vizinho barulhento. Foram semanas de visita até fecharmos um espaço que servia.
Aí virou de chave. O Gabriel sempre teve um lado de design de interiores guardado, e nessa hora ele apareceu com esboços, referências catalogadas mentalmente de outros estúdios, e a ideia clara da estante industrial que daria a cara do lugar. A gente passou um mês praticamente morando ali — furadeira na mão montando estante, escada para fixar câmera, cabo de microfone esticado até descobrir o ponto exato onde o ruído sumia. Tirando elétrica e pintura, fizemos quase tudo com as próprias mãos.
Na semana de gravar, a gente já sabia que ia dar problema. Era inevitável. A transmissão ao vivo no YouTube travou — gravamos sem ela. O 4K parecia arriscado para o tamanho da sala, então caímos para 1080p sem testar a fundo. Quando o episódio entrou no ar, eu já tinha uma lista de ajustes esperando o próximo: câmera aqui, iluminação ali, dinâmica de conversa acolá.
A versão perfeita nunca sai. Quem espera ela ficar pronta não publica. Tem coisas que só ficam prontas depois de irem ao ar — e o podcast era uma delas.
Tem um friozinho na barriga de colocar algo no mundo depois de tanto tempo construindo em silêncio. É o melhor friozinho que existe.
Ep. 01 — Marcelo Pélos: construindo produtos na era da IA
O primeiro convidado do Na Colmeia é Marcelo Pélos — desenvolvedor desde 2010, cofundador do Trowt, sócio da Envia By Bus, 16 anos criando produtos.
A conversa começou onde sempre começa para quem está no campo: como foi a transição de usar IA como autocomplete até chegar no ponto de escrever sistemas inteiros com modelos como o Claude? Marcelo construiu o Trowt em dois meses — um sistema que levaria pelo menos um ano no ritmo tradicional.
Produtos nascidos com IA no núcleo alcançam product-market fit real em quase 47% dos casos. Os que simplesmente acoplam IA depois chegam a 13%. A diferença não é tecnológica — é de foco e profundidade.
A partir daí o papo foi fundo em alguns temas que importam para quem está construindo coisas hoje:
Vibe coding vs. engenharia real. Qualquer pessoa consegue gerar código com IA. Colocar isso em produção com segurança, performance e escalabilidade é outra história. A distinção entre júnior, pleno e sênior no contexto de IA.
O fim do formulário como interface. O Trowt tem o Rich — um agente que opera o sistema via linguagem natural, inclusive pelo WhatsApp. Como os produtos vão mudar nos próximos anos.
IA está tomando empregos? A resposta honesta: em alguns casos, já está. Desenvolvedores júniors, suporte de primeiro nível, posts para redes sociais. O que fazer diante disso.
O atraso das empresas brasileiras. Por que pagar R$ 1.000 por desenvolvedor em ferramentas de IA ainda é tabu no Brasil — e o quanto isso custa em competitividade.
O episódio está no YouTube e no Spotify. A partir de agora, toda segunda-feira às 20h tem episódio novo.
O detalhe que ninguém pediu
Esse primeiro episódio é oferecido por três projetos que a gente carrega no dia a dia: o EpicFlow, que centraliza vários números de WhatsApp em um número oficial da Meta para empresas que perderam o controle da comunicação; o Aizen CRM, pensado como o primeiro CRM para times que ainda não usam nenhum, ou que sofreram com os que já tentaram; e o Trowt, que cuida das redes sociais de empresas que não têm time de marketing, do conteúdo ao design.
Convidar alguém para um podcast normalmente é uma mensagem solta de WhatsApp — "topa gravar com a gente?" — e pronto. O Gabriel achou pouco. Hoje a pessoa recebe três datas para escolher, escolhe uma, e cai num convite personalizado com a cara dela.
Ontem à noite a gente ainda estava no Claude pedindo para gerar uma imagem dinâmica por convite — para que, quando o link cair no WhatsApp ou no Discord, o preview (o tal og:image) apareça já com "Fulano, você é nosso convidado." Cada link com a sua própria imagem, gerada na hora, com o nome de quem recebeu.
Ninguém pediu. Convite por mensagem seca resolveria. Mas é nessas coisas que a gente se diverte — e que normalmente entrega o tipo de coisa que a pessoa do outro lado lembra depois.
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Nos workshops da HiveAgent, o time sai sabendo usar IA com objetivo — não só impressionado com o que é possível. Presencial, dentro da operação do cliente, com problemas reais.
Conhecer o workshopPerguntas frequentes
O que o primeiro episódio do Na Colmeia abordou?
O primeiro episódio foi com Marcelo Pélos — desenvolvedor desde 2010, cofundador do Trowt, 16 anos criando produtos. A conversa foi fundo em: como foi a transição de usar IA como autocomplete até escrever sistemas inteiros com Claude; a diferença entre IA no núcleo vs. IA acoplada (47% vs. 13% de product-market fit); o fim do formulário como interface principal dos produtos; e a resposta honesta sobre IA e empregos — onde já está acontecendo de fato.
Por que esperar pela versão perfeita antes de publicar é um erro?
A versão perfeita nunca sai. Quem espera ela ficar pronta não publica. Quem trabalha para entregar perfeito demora tanto que o motivo de fazer já passou. O podcast Na Colmeia entrou no ar com transmissão ao vivo travada, câmera em 1080p em vez de 4K e lista de ajustes esperando o próximo episódio. Isso é o processo normal — não o sinal de que não estava pronto.
Qual a diferença entre IA no núcleo e IA acoplada a um produto?
Produtos nascidos com IA no centro — onde IA define a arquitetura e a proposta de valor desde o início — alcançam product-market fit real em quase 47% dos casos. Os que simplesmente adicionam IA depois, como recurso extra em produto existente, chegam a 13%. A diferença não é tecnológica: é de foco e profundidade. IA acoplada normalmente resolve problema de demonstração, não problema do cliente.
O vibe coding substitui o desenvolvimento tradicional?
Não — substitui uma parte específica: escrever código inicial fica mais rápido e acessível. O que não muda é colocar esse código em produção com segurança, performance e escalabilidade. A distinção entre júnior, pleno e sênior continua existindo no contexto de IA: saber o que pedir ao modelo, revisar o que ele entregou e entender o que vai para produção é uma habilidade de engenharia, não de prompt.